lunes, 29 de febrero de 2016

HOMOEROTISMO NO ROMANCE, PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS, DO PORTUGUÊS AFONSO CRUZ




HOMOEROTISMO NO ROMANCE, PARA ONDE VÃO OS GUARDA-CHUVAS, DO PORTUGUÊS AFONSO CRUZ

“Dito isto, baixou as calças e mostro-lhe um pénis semierecto„

No romance, Para onde vão os guarda-chuvas, do português Afonso Cruz, os leitores podem encontrar três menções de homoerotismo, um dos mais importante é aquele do Nachiketa Mudaliar, o romântico namorado da muçulmana Aminah, com o seu guru, quem foi iniciado na Confraria do Soma coa bebida da urina do seu mestre, diz Cruz que a experiência religiosa do Nachiketa Mudaliar foi uma desventura religiosa para grande tristeza da sua mãe, a qual 

                acabou no dia em que o guru o chamou aos seus aposentos,        anunciando que, a partir daquele dia, Nachiketa passaria a ser    o seu mais querido discípulo. Dito isto, baixou as calças e           mostrou-lhe um pénis semierecto. Nachiketa ainda pensou              que deveria recolher a urina do seu guru, mas depressa                percebeu que não era bem isso que o mestre pretendia com     aquela preferência que lhe era concedida. Aquele era um           grande                 privilégio — palavras do próprio guru —, mas Nachiketa não viu a coisa assim e mostrou-se indisposto. O                 sacerdote pegou-lhe na cabeça e Nachiketa vomitou tudo           o que havia comido nesse dia, biriani e lentilhas... saiu a correr      e nunca mais voltou       a confraria. Nesse mesmo dia a mãe,      chegou a casa com uma               tosse ligeira a que ninguém deu muita              importância, algo que   haveria de se revelar fatal e que                Nachiketa                 Mudaliar acabaria por identificar com a             sua desventura                 religiosa. Sentia que não se portara bem                 com os deuses, talvez     devesse ter suportado o privilégio que   o guru lhe concedera e talvez por isso, talvez por isso....[1]




Morrera a mãe por não ter aproveitado o privilégio do seu guru, que lhe oferecia chupar o seu pénis semierecto. Foi a maior desventura religiosa do Nachiketa Mudaliar por duas razoes: a) Morrera a sua mãe pela tosse a que ninguém deu muita importância e pela desventura religiosa do seu filho e b) porque o pai o expulsou da casa, ficou sem seu santo preferido Girijashankar e, além do mais, teve de morar nas ruas. 




Outra menção de homoerotismo pelo Afonso Cruz é quando o general Ilia Vassilyevitch Krupin chamou de maricas ou panasca o seu filho Dilawar: «O general chamou-lhe paneleiro infiel e continuou a puxar o filho para fora, como uma parteira. »[2] Evidentemente que Dilawar, o homem ideal da Aminah, não era nenhuma bicha, pois além de ser o amante da adultera Bibi, foi também o amásio da Diamante e se apaixonava por prostitutas, era um homem heterossexual, mas seu pai chamou-o paneleiro no romance.



A última menção dum coito anal foi o do Isa com seus acossadores, quando Aminah o deixara da casa para que mendigasse novamente nas ruas: «Um dos rapazes, ligeiramente mais alto do que os outros, já com uns pelos a despontar no lugar onde viria a ter a barba, resolveu empurrá-lo. Isa caiu de gatas e o outro pôs-se em cima dele. Com os seus movimentos imitava a cópula. Os outros rapazes riam»[3].





[1] Cruz, Afonso. Para onde vão os guarda-chuvas. S. l.: Alfaguara, 2013, pp. 173-4
[2] Ibíd., p. 205.
[3] Ibíd., p. 460.

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