HOMOEROTISMO NO ROMANCE, PARA ONDE VÃO
OS GUARDA-CHUVAS, DO PORTUGUÊS AFONSO CRUZ
“Dito isto, baixou as calças e
mostro-lhe um pénis semierecto„
No romance, Para onde vão os guarda-chuvas, do português
Afonso Cruz, os leitores podem encontrar três menções de homoerotismo, um dos
mais importante é aquele do Nachiketa Mudaliar, o romântico namorado da
muçulmana Aminah, com o seu guru, quem foi iniciado na Confraria do Soma coa
bebida da urina do seu mestre, diz Cruz que a experiência religiosa do Nachiketa
Mudaliar foi uma desventura religiosa para grande tristeza da sua mãe, a qual
acabou
no dia em que o guru o chamou aos seus aposentos, anunciando que, a partir daquele dia, Nachiketa passaria a ser
o seu mais querido discípulo. Dito
isto, baixou as calças e mostrou-lhe
um pénis semierecto. Nachiketa ainda pensou que
deveria recolher a urina do seu guru, mas depressa percebeu que não era bem isso que o mestre pretendia
com aquela preferência que lhe era concedida. Aquele era um grande privilégio — palavras do próprio guru —, mas
Nachiketa não viu a coisa assim e mostrou-se indisposto. O sacerdote pegou-lhe na cabeça e Nachiketa vomitou
tudo o que havia comido nesse
dia, biriani e lentilhas... saiu a
correr e nunca mais voltou a confraria. Nesse mesmo dia a mãe, chegou a casa com uma tosse ligeira a que ninguém deu
muita importância, algo que haveria de se revelar fatal e que Nachiketa Mudaliar acabaria por identificar com a sua desventura religiosa. Sentia que não se
portara bem com os deuses,
talvez devesse ter suportado o
privilégio que o guru lhe concedera e talvez por isso, talvez por isso....[1]
Morrera a mãe por não ter aproveitado o privilégio do
seu guru, que lhe oferecia chupar o seu pénis semierecto. Foi a maior
desventura religiosa do Nachiketa Mudaliar por duas razoes: a) Morrera a sua
mãe pela tosse a que ninguém deu muita importância e pela desventura religiosa
do seu filho e b) porque o pai o expulsou da casa, ficou sem seu santo
preferido Girijashankar e, além do mais, teve de morar nas ruas.
Outra menção de
homoerotismo pelo Afonso Cruz é quando o general Ilia Vassilyevitch Krupin
chamou de maricas ou panasca o seu filho Dilawar: «O general chamou-lhe
paneleiro infiel e continuou a puxar o filho para fora, como uma parteira. »[2] Evidentemente que
Dilawar, o homem ideal da Aminah, não era nenhuma bicha, pois além de ser o
amante da adultera Bibi, foi também o amásio da Diamante e se apaixonava por
prostitutas, era um homem heterossexual, mas seu pai chamou-o paneleiro no
romance.
A última menção dum
coito anal foi o do Isa com seus acossadores, quando Aminah o deixara da casa
para que mendigasse novamente nas ruas: «Um dos rapazes, ligeiramente mais alto
do que os outros, já com uns pelos a despontar no lugar onde viria a ter a
barba, resolveu empurrá-lo. Isa caiu de gatas e o outro pôs-se em cima dele.
Com os seus movimentos imitava a cópula. Os outros rapazes riam»[3].



